Wooden cubes forming the year 2026 on a neutral background.

BRASIL entra em contagem regressiva para o "BIG BANG" tributário de 2026

BRASÍLIA – O mundo jurídico e empresarial encerra 2025 em estado de alerta máximo. A partir de 1º de janeiro, o Brasil deixa de apenas discutir a Reforma Tributária para vivenciá-la na prática. O chamado “período de teste real” marcará o início da transição para o IVA Dual (CBS e IBS), exigindo que empresas operem em um cenário de dualidade sistêmica sem precedentes.

O Início da Transição e a Alíquota de 1%

O marco zero de 2026 é a implementação da alíquota experimental de 1% (sendo 0,9% de CBS federal e 0,1% de IBS estadual/municipal). Na prática, esse valor não representará um aumento imediato de carga, pois poderá ser integralmente compensado com os débitos de PIS/Cofins. O objetivo do governo é utilizar 2026 como um laboratório vivo para calibrar os sistemas de arrecadação antes da substituição definitiva dos tributos antigos.

Postura Pedagógica: O “Sinal Verde” do Fisco

Para evitar um colapso operacional, a Receita Federal e o novo Comitê Gestor do IBS confirmaram uma postura de flexibilização para o primeiro semestre de 2026. Reconhecendo as dificuldades técnicas de adaptação dos ERPs e emissores de notas, o foco inicial será na orientação, com uma suspensão temporária de multas por erros formais no destaque dos novos impostos. Todavia, especialistas alertam: a negligência pode causar perdas comerciais, já que compradores exigirão o destaque correto para garantir seus créditos tributários.

Simplificação Digital e o Fim da DIRF

Enquanto o novo sistema nasce, o antigo começa a ser desmontado. 2026 consolida a extinção definitiva de obrigações acessórias históricas, como a DIRF, cujas informações agora fluem via eSocial e EFD-Reinf. Essa “limpeza” burocrática é vista como um alívio necessário para compensar o esforço de conformidade exigido pela nova CBS/IBS.

O Desafio do Fluxo de Caixa

Para além da tecnologia, a virada de ano impõe uma revisão estratégica de preços e contratos. O novo modelo de crédito financeiro — onde a empresa só recupera o imposto se comprovar o pagamento ao fornecedor — muda a lógica financeira do mercado brasileiro. Em 2026, a eficiência tributária deixará de ser apenas uma questão jurídica para se tornar o coração da estratégia de caixa das corporações.